
Na última década, as centrais hidroeléctricas atingiram a produção de cerca de 30% das necessidades do consumo energético, em Portugal. A actual rede hidroeléctrica explora 50% do potencial hídrico de Portugal, cerca de 5000 MW de potência, através de 66 barragens de grande dimensão e por 150 mini-hídricas.
A nova Estratégia Nacional de Energia definiu como prioridade atingir os 8.625 MW de potência instalada, até 2020, o que pode elevar para 40% a energia de origem hídrica. Esta solução reduz em mais de 180 milhões de Euros por ano a importação de combustíveis fósseis e emissões de gases de efeito de estufa (CO2).
O Plano Nacional de Barragens leva a cabo a missão de impulsionar o desenvolvimento de novos projectos hidroeléctricos e de optimizar as infraestruturas hídricas existentes para maximizar o seu potencial hidroeléctrico. Esta aposta permitirá aumentar, em cerca de 75%, a potência hidroeléctrica instalada até 2020.
HÍDRICA
A energia hídrica consiste na transformação da energia mecânica da água sob o efeito da gravidade em energia eléctrica resultante do desnível topográfico originado por um açude ou barragem.
As centrais hidroeléctricas são constituídas por sistemas de barragens, onde se armazena temporariamente a água, e por canais através dos quais se orientam os caudais de água para a conversão da energia mecânica em energia eléctrica.
Os equipamentos hidroeléctricos podem ser reversíveis e funcionarem como complemento da produção eólica. A energia eólica pode ser utilizada para bombear água novamente para a albufeira para ser usada na produção de energia hídrica, quando necessário.
Em Portugal, estão previstos dez novos projectos de elevado potencial hidroeléctrico e o melhoramento de seis barragens existentes.
A potência instalada em centrais hidroeléctricas no ano de 2009 era de 4 972MW, com um potencial anual de produção superior a 16TWh. A meta traçada para 2020 pretende atingir 8.625 MW de potência instalada, pretendendo alcançar neste ano os 70% de aproveitamento do potencial hídrico nacional.
Barragens de grande dimensão
Altura superior a 15m, capacidade de armazenamento de mais de 1 milhão de metros cúbicos de água.
| BARRAGEM |
|
ALTURA |
CAPACIDADE |
ÁREA/Km² |
POTÊNCIA |
ENERGIA PRODUZIDA /Ano |
 |
ALTO LINDOSO Maior potência instalada |
|
110m |
379 Mm3 |
1525 Km² |
639 MW |
948 GW/h |
 |
AGUIEIRA Fins múltiplos e bombagem |
|
89m |
423 Mm3 |
3100 Km² |
270 MW |
210 GW/h |
 |
ALQUEVA Maior lago artificial da Europa |
|
96m |
4150 Mm3 |
55 000 Km² |
240 MW |
269 GW/h |
|
MINI-HÍDRICA
A energia da água dos rios pode ser aproveitada através de uma instalação mini-hídrica, que transforma a energia cinética criada pelos desníveis topográficos naturais ou artificiais em electricidade.
As mini-hídricas têm uma potência inferior a 10 MW. Em Portugal, estão instaladas cerca de 100 centrais mini-hídricas, com uma capacidade total de 365 MW.
OCEANOS A energia dos oceanos é aproveitada de várias formas, cada qual com uma tecnologia específica: ondas, correntes marítimas, marés, gradientes de temperatura e de salinidade. As ondas constituem a forma de energia oceânica mais usada em Portugal, através de equipamentos que captam o movimento provocado por estas.
Portugal tem uma costa extensa, uma ondulação de excelentes características com densidade de energia bastante elevada e uma batimetria adequada. O recurso é bastante estável e previsível, com relativa imunidade aos efeitos climatéricos locais e uma variação horária ou circundiária pequena.
O potencial de produção de energia eléctrica a partir da energia das ondas na costa atlântica portuguesa foi estimado admitindo um recurso de 30 kW por km de costa e que uma percentagem média de 15 por cento da energia incidente pode ser convertida em energia eléctrica. Ondas com amplitudes grandes (> 2 m) e longos períodos (7 a 10 s) têm energias superiores a 40~50 kW/m. Estima-se em 10 TWh por ano o potencial de produção de energia eléctrica associado àquela extensão, sobre os 50 m de profundidade. Para os mesmos 250 km, utilizando o valor de 20 MW de potência instalada por quilómetro, a potência instalada poderá ascender a 5 GW.
Portugal tem uma posição de liderança mundial e de prestígio no que se refere a conhecimentos técnico-científicos sobre a energia das ondas, após mais de 20 anos de investigação desenvolvida pelo IST (Instituto Superior Técnico) e INETI (Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação).
Projectos experimentais:
- Central de Energia das Ondas de Porto Cachorro, ilha do Pico, Açores, 1999, 400 kw, tecnologia CAO – Coluna de Água Oscilante
- Central-piloto submersa em Almagreira, Peniche, 2007 -, 2 MW, tecnologia AWS – Wave Roller
- Parque das Ondas em Aguçadoura, Póvoa do Varzim, 2008, 2,25 MW, tecnologia Pelamis