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A ENERGIA DA TERRA

A Terra é uma fonte de energia inesgotável, aproveitada de várias formas. Portugal tem uma forte aposta na Biomassa, na Geotermia, nos Biocombustíveis e no Biogás.

Biomassa
A ENE 2020 define como prioridade a instalação efectiva de 250MW de energia proveniente da biomassa, conciliada com a disponibilização de biomassa florestal no mercado.

Geotermia
A Região Autónoma dos Açores constitui a maior fonte de energia geotérmica em Portugal, a qual continuará a ser desenvolvida. A ENE 2020 prevê ainda a criação de outros projectos geotérmicos inovadores em território continental, fazendo com que a geotermia ganhe mais importância no mix energético nacional.

Biocombustíveis e Biogás
A ENE 2020 visa estimular a utilização de recursos endógenos para a produção de biocombustíveis e biogás, estreitando a ligação com a agricultura nacional e as soluções ligadas aos biocombustíveis de segunda geração.

BIOMASSA

A Biomassa é, por definição, a fracção biodegradável de produtos e resíduos provenientes da agricultura (incluindo substâncias vegetais e animais), da silvicultura e das indústrias conexas, bem como a fracção biodegradável de resíduos industriais e urbanos. A energia da biomassa pode ser aproveitada de diversas formas, entre as quais através de processos de queima, em caldeiras e fornalhas, para produzir energia térmica, energia eléctrica ou biocombustíveis.
Em Portugal, o potencial de todas as formas de biomassa é estimado em 6 milhões de toneladas por ano. Esta fonte de energia poderá vir a representar 15% da geração renovável e a biomassa florestal poderá substituir 5 a 10% do carvão utilizado nas centrais convencionais.

A Estratégia Nacional de Energia 2020 pretende dar prioridade à instalação efectiva da potência já atribuída de 250MW à biomassa, integrando mecanismos de flexibilidade na concretização dos projectos.

GEOTERMIA

A energia geotérmica consiste no aproveitamento, à superfície, do calor terrestre para a produção de energia térmica ou eléctrica.
O tipo de utilização da energia contida nos fluidos geotérmicos depende do caudal disponível, da temperatura e da qualidade da água. O caudal disponível e a temperatura determinam as dimensões da “central” geotérmica, sendo o tipo de aplicação geotérmica condicionada pela temperatura.

Os recursos geotérmicos de baixa entalpia, presentes no território continental, prestam-se geralmente à utilização directa do calor, por meio de permutadores ou de bombas de calor, para aquecimentos domésticos, industriais e agrícolas (como estufas).

Os recursos de alta entalpia dos Açores devem-se à sua localização geo-estrutural, junto da Crista Médio Atlântica, na confluência de três placas tectónicas (americana, africana e euroasiática), que proporciona uma intensa actividade vulcânica, com mais de três dezenas de erupções vulcânicas históricas registadas, bem como outras manifestações superficiais evidenciáveis da enorme quantidade de energia endógena existente no subsolo em muitos locais do arquipélago.
Na Região Autónoma dos Açores, a exploração da geotermia em duas centrais permite suprir em 40% a necessidade eléctrica da ilha de S. Miguel. Uma terceira central vai ser finalizada e está outra em construção na Ilha Terceira (12 MW). Neste momento, desenvolve-se uma nova fase de investigação hidrogeológica, numa tentativa de captar recursos a maior profundidade e, assim, aumentar temperaturas e caudais de exploração.
O recurso às bombas de calor perspectiva ainda um incremento considerável da utilização da geotermia.

BIOCOMBUSTÍVEIS

Os biocombustíveis constituem um vector de diversificação no abastecimento de combustíveis aos transportes, sector em se registam as mais elevadas taxas de crescimento de consumo energético.
Portugal quer promover a utilização de recursos endógenos para a produção de biocombustíveis estreitando a ligação com a agricultura nacional e as soluções ligadas aos biocombustíveis de segunda geração. Até 2010, o país substituirá mais de 300 milhões de litros de combustíveis por biocombustíveis, o que corresponde a uma incorporação de 10% nos combustíveis rodoviários, antecipando em dez anos o objectivo da União Europeia.

Para a produção de biodiesel, podem ser usados óleos vegetais e gorduras animais, sendo os óleos de cozinha, soja, palma e girassol os mais utilizados. O biodiesel oferece a possibilidade de substituição do gasóleo rodoviário, uma vez que, misturado com o gasóleo (em proporções adequadas) serve para usar em alguns motores. Portugal tem actualmente uma capacidade de produção de biodiesel de cerca de 500000 toneladas.

BIOGÁS

O biogás resulta da decomposição de matéria orgânica, sob acção de baterias específicas. Este processo ocorre em várias etapas bioquímicas, geralmente num tanque fechado, sem oxigénio, ocorrendo a degradação dos compostos orgânicos complexos, até à obtenção de compostos mais simples. O biogás de digestão anaeróbia é um dos subprodutos deste processo, composto por uma mistura gasosa composta principalmente por metano e dióxido de carbono.

O biogás de digestão anaeróbia pode ser usado na produção convencional de energia eléctrica e térmica, em meios de transporte, em células de combustível ou na distribuição com gás natural.

De acordo com o Fórum das Energias Renováveis em Portugal (2002), o potencial nacional de gás de digestão anaeróbia foi calculado em 503 GWhe/ano. O potencial exequível do biogás até 2010 foi determinado em 74 MWhe.

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